(Ferreira Gullar)
Uma parte de mim é todo mundo;
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão;
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera;
outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta;
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente;
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem;
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte - será arte?
Traduzir o sonho na realidade; é isso que chamam arte?
ResponderExcluirPelo menos assim define o poeta.
Este texto fica lindo na voz e melodia do Fagner...
A coisa mais difícil q existe é traduzir-se.
ResponderExcluirmas alguns tem esse dom.