Nascido sem roupa, sem nome, sem fé
Sem saber ao menos porque estou aqui
Sem nenhum apoio onde fincar o pé
Com fome, com sede, com frio, enfim,
Eu nem imagino porque vivo assim
Preciso de ajuda, então peço a ti
Seria acaso pedir em excesso
Que desses ao menos uma informação?
Se não for abuso então, eu te peço
Me diga a quem reclamar por ajuda,
Se eu peço, peço e peço e nada muda
Que devo fazer pra ter tua atenção?
Quem sabe se eu fosse algum filho pródigo
Que astutamente teus bens dissipou
Quem sabe, talvez conseguisse um código
De com entrar em contato contigo
E então te pedir, por favor meu amigo,
Espia pra ver o estado em que estou
Embora não ouça jamais as respostas,
Eu sei que me escutas, pois surdo não és
Então imagino, me viraste as costas
Não queres saber deste ser infeliz
Mas sinceramente, me dize o que fiz
Pra nesta existência ter tanto revés
Se tinhas pra mim alguma missão,
Talvez importante, onde é que falhei?
Será que minha luta tem sido em vão ?
Não cheguei ao alvo que determinaste?
Quem sabe, meu máximo só não te baste?
O será que ignoro qual é tua Lei?
Preciso de pão, mas me dás serpentes
Preciso de luz, só sombras me dás
Olha meus joelhos, já estão dormentes
De passar mil noites rogando, em prece,
E ver tanta gente que menos merece,
Viver vida boa, tranqüila, em paz.
Se eu fosse a ti totalmente estranho,
Talvez compreendesse porque não te acho
Mas eu não mereço mal deste tamanho,
Que se me acontece é por falta de apoio
Será que ao tirares o trigo do joio,
Jogaste esta espiga pra fora do tacho?
Por que? Por que? Por que? Eu pergunto,
Qual foi o motivo de me deixares só?
Perdoa se teimo insistir neste assunto
Mas é que pra mim está muito difícil,
Viver sempre à beira de um precipício
Com um laço ao pescoço a apertar o nó.
Senhor, senhor, escuta meu grito
Não vejo mais qualquer escapatória
Acalma, te imploro meu coração aflito
Me ampara, te peço com teu forte braço
Entende que se me venceu o cansaço,
Qual é minha culpa em toda esta história?
E que este meu grito permita que, ao menos,
Eu consiga entender que estás comigo,
Que tais grandes males, se tornem pequenos;
E mesmo que eu, já não suporte mais,
Possa ter num único instante de paz,
A plena certeza que és meu amigo
Nenhum comentário:
Postar um comentário