Meio humano, meio bicho,
Surge a figura do nada
E vagando pela estrada
Polui a nossa visão
Vivendo no meio do lixo
Dormindo em plena calçada
Da caridade que é dada
Depende sempre seu pão
Passa o tempo, passa ano,
Parece que nada sente
A tudo parece dormente
Não tem nenhuma ilusão
Mas que diabos, é humano!
Mesmo que nos apoquente,
Não parece, mas é gente,
Precisa consideração.
Não sei se alguém compreende
A importância da existência
Desta vida em falência
Que até nem chama atenção.
O que mais me surpreende
É a humana decadência
Que é um fato em evidência
Neste ser ali no chão
Por isso, meu camarada,
Olham você com horror
Você é o retrato da dor
Expressa a pura verdade
E ao lhe ver na calçada
Por onde quer que se for,
Percebe-se a falta de amor
Do que chamam sociedade
Mas o que é sociedade?
Responda-me se puder
Não é cada homem e mulher,
Eu você, o mundo inteiro?
É sua responsabilidade
A vida de cada ser
Que sobre esta terra viver,
Cada irmão e companheiro?
Note bem a importância
Deste pária subumano
Que entra ano, sai ano,
Insiste em sobreviver
Não ache que é ignorância
Não me rotule insano
Sei que nisto não me engano
Ele é o que pode ser
Não é questão de destino,
Isso é coisa inconcebível
Mas ele é o que é possível
Ser no meio de nós
Quem sabe desde menino
Dissemos-lhe que é horrível
Que melhor fosse invisível
Que calasse sua voz.
Podamos os seus caminhos
Bloqueamos a passagem
Dissemos-lhe “que bobagem
você querer ser alguém”
Nunca lhe demos carinhos
Ou instilamos coragem
Em um coração selvagem
Ainda aberto pro bem
Mas agora ele está morto
Não existe mais, amigo,
E ajuda-lo não consigo
É difícil a salvação
Não almeja mais conforto
Nada quer alem de abrigo
É só mais outro mendigo
Estendendo a sua mão
Pois então, agora atente.
Pra loucura desta vida
Vendo a criatura caída
Na sarjeta, aí contigo.
Com ajuda o indigente
Teria outra saída
E com revés na sua lida
Seria você o mendigo
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