terça-feira, julho 21

Traduzir-se

(Ferreira Gullar)

Uma parte de mim é todo mundo;
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão;
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera;
outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta;
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente;
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem;
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte - será arte?

2 comentários:

  1. Traduzir o sonho na realidade; é isso que chamam arte?
    Pelo menos assim define o poeta.
    Este texto fica lindo na voz e melodia do Fagner...

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  2. A coisa mais difícil q existe é traduzir-se.
    mas alguns tem esse dom.

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