Vou pela vida introspecto
Nada me afeta ou me abala
Nem do jornal nesta sala
Me interessa algum aspecto
Política, guerra, crime,
ou vitória de algum time
O filho passa chorando
A roupa suja no chão
Nada mais chama a atenção
Nada de novo chegando
Tudo é hábito, costume
Neste tédio que me assume
Faz a vida algum sentido?
Pode ser coisa normal
viver como um vegetal
pra ser cortado e cozido?
Podem bater, me agredir
Nenhuma reação vai vir
Um boneco que se move
Sem desejo, dor ou medo
Que não tem nenhum segredo
Não se ira ou se comove.
Estou vivo? Sim, respiro
como, caminho e suspiro
Até que funciona a mente
Embora meu pensamento
não traduza em movimento
porque o peito nada sente.
Nunca há motivação
Pois me falta o coração.
Não consigo discernir
Se estou vivo ou se estou morto
Busco somente o conforto
De não precisar ter de agir
Só obedeço ao comando
de a vida ir levando
E se não discirno também
Se vivo ou se sobrevivo,
Sou zumbí, um morto-vivo
Um meio-zero, um ninguém
Não somo nem subtraio
Se estou aqui ou se saio
Mas se existe alguma prova
Que a mente não está vazia
Esta está na poesia
Que cria em mim alma nova
Pois assim vou escrevendo
pra poder seguir vivendo.
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