Com licença de outros tantos
Que com mais propriedade
Descrevem a realidade
A expressam em seus cantos
Quero dizer no momento
Da vida o que compreendo
O que aflora ao pensamento
Sem floreio, retoque, remendo.
Observe a simples planta
E a beleza que ela traz
Ao lhe dar nome você a faz
Tornar-se algo que encanta,
Ou algo que só suja a rua
Ou sombra pra refrigério
Quer que ela seja só sua
Muitos em um, um mistério.
A planta lhe trás lembranças
De outras tantas iguais,
Umas menos, outras mais,
Desejos, sonhos, vinganças.
A árvore está carregada
Não de folhas, frutos e flores;
Mas da experiência passada
De lutas, ódios, amores.
A realidade revela
Que uma casa, por exemplo,
Não é sepulcro nem templo,
Mas é coisa bem singela
Uma casa é uma casa!
Quatro paredes apenas,
Que o pensamento defasa,
Decorando de dores e penas.
Uma casa não é um lar
Isto é mais do que evidente
O lar se cria na mente
Em qualquer canto ou lugar
Parte da casa ou o total
Parece mais importante
Se num pequeno instante
Se torna fundamental
Um quarto é igual a todos
Na luz ou na escuridão,
Tenha ele cama ou não
Igual de todos os modos
Se o pensar interfere
Enche o quarto de lembranças
Recria mais esperanças
No que cada peça sugere.
Está na casa o defeito?
No quarto ou na cadeira?
Se eu passo a vida inteira
Pensando a seu respeito?
O engano é meu somente
Que não vejo a realidade
E meus olhos simplesmente,
Usam óculos de saudade.
Lindo! E realmente, um lar se cria na mente.
ResponderExcluirUm grande abraço.