terça-feira, julho 21

Uma casa é uma casa

Com licença de outros tantos


Que com mais propriedade


Descrevem a realidade


A expressam em seus cantos


Quero dizer no momento


Da vida o que compreendo


O que aflora ao pensamento


Sem floreio, retoque, remendo.



Observe a simples planta


E a beleza que ela traz


Ao lhe dar nome você a faz


Tornar-se algo que encanta,


Ou algo que só suja a rua


Ou sombra pra refrigério


Quer que ela seja só sua


Muitos em um, um mistério.



A planta lhe trás lembranças


De outras tantas iguais,


Umas menos, outras mais,


Desejos, sonhos, vinganças.


A árvore está carregada


Não de folhas, frutos e flores;


Mas da experiência passada


De lutas, ódios, amores.



A realidade revela


Que uma casa, por exemplo,


Não é sepulcro nem templo,


Mas é coisa bem singela


Uma casa é uma casa!


Quatro paredes apenas,


Que o pensamento defasa,


Decorando de dores e penas.



Uma casa não é um lar


Isto é mais do que evidente


O lar se cria na mente


Em qualquer canto ou lugar


Parte da casa ou o total


Parece mais importante


Se num pequeno instante


Se torna fundamental



Um quarto é igual a todos


Na luz ou na escuridão,


Tenha ele cama ou não


Igual de todos os modos


Se o pensar interfere


Enche o quarto de lembranças


Recria mais esperanças


No que cada peça sugere.



Está na casa o defeito?


No quarto ou na cadeira?


Se eu passo a vida inteira


Pensando a seu respeito?


O engano é meu somente


Que não vejo a realidade


E meus olhos simplesmente,


Usam óculos de saudade.

Um comentário:

  1. Lindo! E realmente, um lar se cria na mente.
    Um grande abraço.

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