segunda-feira, julho 20

Memória

Se lembra da nossa infância?
Muito tempo se passou
Quase some na distância
A lembrança que restou
E tudo na mente se embola
Brincadeiras e brigas na escola

É tudo assim meio escuro
A gazeta, o pé de manga
A nota baixa, a zanga,
O xixi feito no muro,
O balão que pegou fogo,
A pelada, a pipa rara,
A roubalheira no jogo,
Valendo tapas na cara
Doces aos montes, me lembro,
Nas festas do mês de setembro

Me lembrar custa um bocado
Da menina mais bonita
Que como sempre me evita
Fugindo ao beijo roubado
São poucos minutos apenas
De gratas recordações
Horas de choro às centenas
Briga e castigo aos milhões
A fuga sem dar na vista,
Para driblar o dentista.

“Ah que saudades que eu tenho,
Da Aurora da minha vida,”
Heloisa ou Margarida ?
Lembrar nomes exige empenho
Me apaixonava por todas
As meninas lá da turma
Lindas, feias, magras, gordas
Sonhava com cada uma
Meninos são muito bobos
Cordeiros em peles de lobos

“Da minha infância querida”
Restaram poucos momentos
Poucos cantos, mais lamentos,
Pouca flor, muita ferida.
Mas foi um tempo risonho
E eu cresci, de repente,
E como acordasse de um sonho
Já estava virando gente
Não sei como aconteceu
Mas quando me vi, era eu.

“Que os anos não trazem mais”
Este tempo de beleza
Isto afirmo com certeza
Não volta o que foi pra traz
Mas não choro nem lamento
Pois o tempo que passou
Até que deu novo alento
Tornou-me o que hoje eu sou
O passado é só história
Que se perde com a memória

De vago que ainda resta
Comigo em minha lembrança
Desde o tempo de criança
Muito pouca coisa presta
Talvez eu esteja enfermo
Caso raro de amnésia
E este mal só chegue a termo
Com “Leite de Magnésia”
Solta o cocô do neném
Solta a memória também?

Agora, falando sério,
Não lembro de quase nada
De tanto tempo de estrada
Como lembrar, é mistério.
Mas das coisas que ficaram
Em prova da mente sã
Lembranças que mais duraram
São de você, minha irmã.
Bajulação é o fraco
Do seu irmão puxa-saco

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