quinta-feira, dezembro 31

Eu queria ser

Eu queria ser
(Telmo Deifeld)

A brisa

que toca levemente os teus cabelos,

O raio de sol

que aquece o teu rosto na manhã fria do outono...

A fragrância da flor da beira do caminho

que te faz parar e senti-la intensamente.

O branco da nuvem

que observas na tarde ensolarada de domingo.

O grito do quero-quero

que te encanta juntamente com o pôr-do-sol.

O canto da curruíra no amanhecer

que te faz acordar de bem com a vida.

A tua imagem espelhada no fundo do lago

que olhas e não vês o tempo passar

O brilho da lua

que é capaz de atrair-te em noites tristes e alegres.

A taça de vinho

que curtes na presença dos amigos

O ar que respiras constantemente,

mesmo sem perceber

O olhar da criança

que te enche de alegrias, mesmo sem uma palavra...

Eu queria ser o gosto da cereja

que te dá água na boca

O pulsar do teu coração

que te acompanhará até o último instante

O copo d'água que refresca o teu corpo

na tarde quente de verão

O bater de asas do beija-flor

que nunca passa despercebido ao teu olhar

O sopro do minuano

que te traz o sono na noite fria do inverno

Eu queria ser...

Mas sou apenas eu

um ser quase ninguém

que tem medo de ter medo

de perder o que nunca teve

o teu amor!

Sonhar é preciso

(Telmo Deifeld)

Sonhar é sair pela janela da liberdade,

é vaguear pelos caminhos

proibidos ou não.

É, sem ter um rumo qualquer,

ter um alvo a perseguir:

a felicidade.

Sonhar é não limitar-se a limites

sejam eles quais forem,

impostos ou não.

É fazer do impossível o possível

quando e como quiser o coração.

Sonhar é viver o passado no futuro

e o futuro no presente.

É ter o se quer

e afastar o que não se deseja

É despertar dentro de si

aquele ser criança.

É almejar a vida...

Pra sonhar não é preciso

ter passado, nem presente,

nem cultura, nem riquezas...

Pra sonhar não precisa fazer parte

de uma classe social

de uma faixa etária

ou de qualquer coisa que separe

um ser humano do seu semelhante

É preciso apenas ter esperança

pois sem esperança ninguém vive

e sonhar é viver...

Sonhar não é direcionar os pensamentos

ao que pode ser real

Mas sim tornar real,

mesmo que apenas na mente,

o possível e o impossível,

o real e o abstrato

o tudo e o nada

Num tempo e num lugar

a serem definidos

ao belprazer de quem sonha...

Sonhar é dar a própria vida

a um sentimento de bem-estar

e, sem restrições,

entregar ao coração as rédeas da razão

É viver com quem se ama

sentindo-se amado.

Sonhar é sair...

É vaguear...

É não ter rumo.

É ter um alvo.

É não limitar-se.

É fazer...

É sentir...

É amar...

É ser amado...

É ter esperança...

É viver!

Sonhar é preciso!

Por um instante ...

(Telmo Deifeld)

Eu daria o mundo

E tudo o que nele poderia me pertencer

Para tê-la em meus braços

E sentir os teus lábios juntos aos meus

E no silêncio da noite

Iluminada pela luz do sol de um novo dia

Refletida pela lua - amiga dos amantes!

Num presente tão intenso quanto possível,

Comemorarmos juntos, juntinhos,

O passado e o futuro,

O feito e o que esta por fazer,

O tudo e o nada...

Sentir o tempo parar

Deixar que a terra gire

Que as luzes ascendam-se e apaguem-se

Que a vida continue

E a pessoas prossigam no seu labutar fatigante

Mas nós ali,

Naquele lugar indefinido do espaço,

De uma forma totalmente nossa,

Amarmos...

Vivermos...

Ao menos por um instante!

Inconfundível

(Telmo Deifeld)

Na complexidade dos caminhos da vida

Impressiono-me com o que é intenso

Encanta-me a simplicidade,

Lastro dos verdadeiros sentimentos.

Dentre o muito que vi,

Esquecerei jamais,

Sempre impregnado na mente estará

Objeto constante das minhas lembranças

Ungindo os pensamentos

Ziziando nos meus tímpanos

Alcançando o mais profundo do ser

Deixando a mais bela marca

Onde apagada não será

Pois nem nós mudamos os nossos sentimentos

Rendo-me à vida, pois

Apenas falo

Do teu sorriso cativante e do brilho que só tem

O teu olhar!

Telmo Deifeld

Olhando por aí neste universo louco da internet, encontrei essas jóias, que chamam atenção pelo seu brilho e me desassossegaram o coração.
Foi bater o olho e cair embevecido. Transcrevo algumas; na seqüência : Eu queria ser, Inconfundível, Por um instante… e Sonhar é preciso.
As demais, igualmente lindas, podem ser encontradas no site do seu autor Telmo Deifeld.

Eu queria ser

Inconfundivel

Por um instante

Sonhar é preciso

Aquela coisa toda

Olhe bem nos meus olhos

Olhe bem pra você
O fato é que a gente perdeu toda aquela magia
A porta dos meus quinze anos não tem mais segredo
E velha, tão velha ficou nossa fotografia

Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem pra você
A quem é que a gente engana com a nossa loucura?
De certo que a gente perdeu a noção do limite
E atrás tem alguém que vira, que virá, que virá, que virá

Autoria: Mongol

Memória da pele

Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração

Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura

Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu, sofro e sei
Não sou eu, finjo que não sei, não sou eu

Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu, sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei

Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça

Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração

Autoria: João Bosco e Wally Salomão

http://cadernodeletras.blogspot.com/2009/03/memoria-de-pele.html

segunda-feira, dezembro 28

Amo você

Amo você

Por toda sua beleza

Que igual forte correnteza

Arrasta meus olhos consigo

Amo você

Mais que tudo, isto é fato

Mais que seria sensato

Para um bom e velho amigo

Amo você

Com todo meu sentimento

Com alegria, com tormento

Correndo qualquer perigo

Amo você

Por favor me compreenda

A paixão que se desvenda

Desse amor que em mim fustigo

Amo você

Mais que a minha própria vida

Tenho disso minha querida

Plena certeza comigo

Amo você

De um jeito que não tem jeito

Que não cabe no meu peito

Um amor profundo, antigo

Amo você

Todos sabem que é verdade

Agora e pra eternidade

Viver sem você não consigo

sexta-feira, dezembro 25

Fernando Pessoa

Autopsicografia
Como nuvens pelo céu passam os sonhos por mim
Eu tenho idéias e razões
Minha mulher a solidão
Uma maior solidão lentamente se aproxima

Toquinho

Por que será
Meu irmão
Voos da vida

César Costa Filho

Fonte: Dicionário Cravo Albim da M.P.B.

Compositor. Cantor. Começou a compor em 1966, com Ronaldo Monteiro de Souza, tendo apresentado suas primeiras músicas no programa "A grande chance", da TV Tupi (RJ).

Foi um dos fundadores do Movimento Artístico Universitário (MAU), ao lado de Aldir Blanc, Ivan Lins e Gonzaguinha.

Em 1968, estudante do curso de Letras da Universidade Gama Filho, classificou em terceiro lugar sua canção "Meu tamborim" (c/ Ronaldo Monteiro de Souza), interpretada por Beth Carvalho, no I Festival Universitário.

No ano seguinte, conquistou o terceiro e o quinto lugares no II Festival Universitário, com as canções "Mirante", interpretada por Maria Creuza, e "De esquina em esquina", defendida por Clara Nunes, ambas em parceria com Aldir Blanc. Ainda em 1969, conquistou o terceiro lugar no IV Festival Internacional da Canção (FIC) com "Visão geral", composta em parceria com Ruy Maurity e Ronaldo Monteiro de Souza.

Em 1970, participou do V FIC, classificando a canção "Diva" (c/ Aldir Blanc). Em seguida, foi convidado, juntamente com seus companheiros do MAU, para comandar o programa "Som Livre Exportação", da Rede Globo

Em 1972, lançou um compacto simples contendo suas canções "Dose pra leão" e "Vermelho como um camarão", compostas em parceria com Walter Queirós.

No ano seguinte, gravou o LP "E os sambas viverão", com destaque para "Anastácio: samba enredo para um sambista morto" (c/ Walter Queiroz).

Ainda na década de 1970, lançou os LPs "Bazar" (1977), "César Costa Filho" (1978) e "Outro verão" (1970).

Em 1980, gravou o LP "Nesse mundo".

Como compositor, participou de trilhas sonoras de novelas, como "Minha doce namorada", "À sombra dos laranjais", "O cafona", "O homem que deve morrer", "As locomotivas", "Uma rosa com amor", "O preço de um homem" e "Sonho meu".

Atuou na criação de jingles e na composição de músicas infantis gravadas por Xuxa, Angélica e Mara.

Interrompeu sua carreira de intérprete, para assumir, por três mandatos consecutivos, a presidência da União Brasileira dos Compositores.

Constam da relação dos intérpretes de suas canções artistas como Clara Nunes, Dóris Monteiro, Elis Regina, Claudette Soares, Elizeth Cardoso, Beth Carvalho, Vanusa, Antônio Marcos, Eliana, Xuxa, Angélica e Rosana, entre outros.
Veja aqui ainda, Consumatum est , Medo, Samba do Estácio e Tesoura Cega

João Bosco

Memória da pele

Corsário

Vinícius de Moraes

Dialética
O velho e a flor
Por que será
Solidão (2)
Soneto de Criação
Ternura

Arnaldo Antunes

Cultura
Luz

O buraco do espelho
O pulso
O que não pode ser

Zé Ramalho

Bicho de sete cabeças

quinta-feira, dezembro 24

Tudo que se quer

(Versão da musica All I Ask Of You do filme The Phantom of the Opera (O Fantasma da Opera) interpretada por Emilio Santiago e Veronica Sabino. )

(Ele)
Olha nos meus olhos
Esquece o que passou
Aqui neste momento
Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta
Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo
Teu rio e tua estrada

(Ela)
Vem comigo meu amado amigo
Nessa noite clara de verão
Seja sempre o meu melhor presente
Seja tudo sempre como é
É tudo que se quer

(Ele)
Leve como o vento
Quente como o sol
Em paz na claridade
Sem medo e sem saudade

(Ela)

Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmônia

(Ele)
Eu sou teu homem, sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo seja aonde for
E onde estiver estou

(os dois):
Vem comigo meu amado amigo
Sou teu barco neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza, eu sei, eu vou
Onde estiver estou
E onde estiver estou

O pulso

(Arnaldo Antunes)

O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa...

Peste bubônica
Câncer, pneumonia
Raiva, rubéola
Tuberculose e anemia
Rancor, cisticircose
Caxumba, difteria
Encefalite, faringite
Gripe e leucemia...

E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa

Hepatite, escarlatina
Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo
Esquizofrenia
Úlcera, trombose
Coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes
Asma, cleptomania...

E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim...

Reumatismo, raquitismo
Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose
Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide
Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie
Câimba, lepra, afasia...

O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco

Pulso

Assim...

O velho e a flor

(Vinícius de Moraes)

Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou

O amor é o carinho
É um espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando chega sangrando
Aberta em pétalas de amor

Por que será

(Toquinho, Carlinhos Vergueiro e Vinicius de Moraes)


Por que será

Que eu ando triste por te adorar

Por que será

Que a vida insiste em se mostrar

Mais distraída dentro de um bar

Por que será

Por que será

Que o nosso assunto já se acabou

Por que será

Que o que era junto se separou

E o que era muito se definhou

Por que será

Eu quantas vezes me sento à mesa de algum lugar

Falando coisas só por falar

Adiando a hora de te encontrar

É muito triste quando se sente tudo morrer

E ainda existe o amor que mente para esconder

Que o amor presente não tem mais nada para dizer

quarta-feira, dezembro 23

Devolva meu coração

Devolva meu coração
Que arrancou do meu peito
Com seu total desrespeito
Pela minha obsessão

Prevaleceu da fraqueza
De um ser apaixonado
Para sempre aprisionado
Quando pego de surpresa

Devolve o que me levou
Você levou minha vida
Sem a licença devida
E depois me abandonou

Me deixe viver pelo menos
Ainda que seja chorando
Para que eu prossiga mirando
Estes seus olhos pequenos

Por isso peço, devolva
O coração que lhe dei
Se você não o quer, eu sei
Talvez outro amor desenvolva

terça-feira, dezembro 22

Soneto de criação

(Vinícius de Moraes)

Deus te fez numa fôrma pequenina
De uma argila bem doce e bem morena
Deu-te uns olhos minúsculos de china
Que parecem ter sempre um olhar de pena.

Banhou-te o corpo numa fonte fina
Entre os rubores de uma aurora amena
E por criar-te assim, leve e pequena
Soprou-te uma alma cálida e divina.

Tão formosa te fez, tão soberana
Que dar-te aos anjos por irmã queria
Mas ao plasmar-te a carne predileta

Deus, comovido, te criara humana
E para tua justa moradia
Atirou-te nos braços do poeta.

Dialética

(Vinicius de Moraes)

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Ternura

(Vinícius de Moraes)

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

segunda-feira, dezembro 21

Como nuvens pelo céu, passam os sonhos por mim

(Fernando Pessoa)

Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.

São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.

Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?

Minha mulher a solidão

(Fernando Pessoa)

Minha mulher, a solidão,
Consegue que eu não seja triste.
Ah, que bom é o coração
Ter este bem que não existe!

Recolho a não ouvir ninguém,
Não sofro o insulto de um carinho
E falo alto sem que haja alguém:
Nascem-me os versos do caminho.

Senhor, se há bem que o céu conceda
Submisso à opressão do Fado,
Dá-me eu ser só - veste de seda -,
E fala só - leque animado.

domingo, dezembro 20

A rotina

“A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O início é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto


A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
A rotina da garganta é o rock

A rotina da mão é o toque

Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio

A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
O coração é rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida


A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem sua beleza”




(Tenho procurado a autoria desta peça linda de um anuncio da Natura, se alguem conhecer me informe)

Cultura

(Arnaldo Antunes)

O girino é o peixinho do sapo.

O silêncio é o começo do papo.

O bigode é a antena do gato.

O cavalo é o pasto do carrapato.

O cabrito é o cordeiro da cabra.

O pescoço é a barriga da cobra.

O leitão é um porquinho mais novo.

A galinha é um pouquinho do ovo.

O desejo é o começo do corpo.

Engordar é tarefa do porco.

A cegonha é a girafa do ganso.

O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.

As raízes são as veias da seiva.

O camelo é um cavalo sem sede.

Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.

A batalha é o começo da trégua.

Papagaio é um dragão miniatura.

Bactéria num meio é cultura.

http://www.arnaldoantunes.com.br/

quinta-feira, dezembro 17

Voos da vida

(Toquinho)

É linda a vida que virá
E pousará suave e leve
De um canto a outro,
De uma América futura, calma e livre.

E os dias se renovarão
Numa segura trajetória.
E pouco a pouco contarão
Uma nova e linda história.

É linda a vida que voa altíssima
Sobre esse tempo escuro.
Clara mas incompreensível,
Vai desenhando o futuro.

É linda a vida que voa livre
E sempre sem ter fim.
Descortinando caminhos
Que em meio à poesia
Um dia trouxeram você pra mim.

É lindo o sonho que eu vivi
Junto a você que dorme agora
Enquanto eu, olhando a aurora,
Estou pensando em ti.

É linda a vida, é linda sim,
Depois do amor e seus desvelos.
Quando se abraçam nossos pêlos
Numa calma de jardim.


quarta-feira, dezembro 16

Nascente

Nascente



(Flávio Venturini e Murilo Antunes)

Clareia manhã
O sol vai esconder a clara estrela ardente
Pérola do céu refletindo teus olhos
A luz do dia a contemplar teu corpo sedento
Louco de prazer e desejos ardentes

Because

(John Lennon e Paul McCartney)

Because the world is round it turns me on
Because the world is round

Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high

Love is old, love is new
Love is all, love is you

Because the sky is blue it makes me cry
Because the sky is blue



Por que

Porque o mundo dá voltas, isso me liga

Por que o mundo é redondo

Porque o vento é difícil, me abre a mente

Porque o vento é turbulento

O amor é velho

O amor é novo

O amor é tudo

O amor é você...

Porque o céu é azul, me faz chorar

Porque o céu é triste

sexta-feira, dezembro 11

Doce

A saudade é uma dor doce
Uma lembrança que começa
Quando o coração prega a peça
E você está presente como se fosse

Uma brisa, um sussurro, um reflexo
E quando você foi embora
A saudade entrou na mesma hora
Deixando este problema complexo

Se estamos juntos somos dois
Ao ir embora, cada um pro seu lado
Não é mais dois o resultado
Pois a saudade permanece depois

Luz

Arnaldo Antunes



luz

sábado, dezembro 5

Homem de gelo

Olhar a ti sem poder

Furtivamente, no escuro

Por precisar esconder

Um fogo que arde no peito

De uma forma sem futuro

Com este amor tão sem jeito

Sem deixar que evidencie


O que sinto na canção


Me pedes que eu renuncie


Ao viver, ao sentimento


Ao calor de um coração


Que pulsa em triste lamento


Me cala o fogo na alma


Esfria meu sangue na veia


Em tal aparente calma


Eu sou um homem de gelo


Que contra o choro guerreia


Sou, pois tenho de sê-lo


Julgas assim que não sinto


Tanto amor me corroendo


No fundo de um labirinto


Onde o amor está guardado


Em fogo se revolvendo


Tu o enxergas congelado

sexta-feira, dezembro 4

Samba do Estácio

Cesar Costa Filho

Sou carioca do Estácio, do Estácio de Sá
Tenho meu nome gravado na escola de lá
Eu já fui porta-bandeira
Eu sou Flamengo e Mangueira
Desnecessário dizer que eu sou do samba

Modéstia a parte, senhores, sambista é quem é
Danço, e balanço e não canso,se o samba é de fé
Mas convenhamos também, eu não quero ferir ninguém
Quem não tem samba na alma não samba no pé

Ouço Noel e me sinto palmeira do mangue
Lembro Ataulfo e a cadência me ferve no sangue
Mestres do samba maior, dos poemas que eu sei de cor
Samba que é sempre mais novo na alma do povo

Peço perdão pelo exemplo,
Mas o Estácio é uma espécie de templo
Onde se aprende a sambar
Parecendo rezar

Peço perdão pelo exemplo,
Mas o Estácio é uma espécie de templo
Onde se aprende a sambar
Parecendo rezar

Consumatum est

Composição: Cesar Costa Filho/ H. Valente

O que demorou pra subir não está no gibi
E enguiço de elevador
E eu na pior por aqui

O que demorou pra subir não está no gibi
E quase que eu morro de dor

E você nem aí



Ficou naquele chove não molha
Sem definição
Virava de um lado pro outro
Sem achar posição
Pena eu não poder contar
Detalhes do que se passou
Quando o milagre se fez...
...e o mudinho falou
Consumatum Est enfim




Me encante

Me Encante
( Silvana Duboc )

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...

Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva...

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas!

quinta-feira, dezembro 3

De esquina em esquina



Aldir Blanc e Cesar Costa Filho



Quando a noite chega enluarada
Saio pra lembrar a ex-amada
E bebendo, um trago aqui... ali...
Eu revivo a dor que já vivi e então...

No violão companheiro
Primeiro a ver minha ruína
Eu canto de esquina em esquina
Esta canção

E lembra o tempo em que eu era moleque de rua
Batendo calçada, vendendo cocada até me tornar valentão
Mas numa noite de lua, pequena da cor de açucena
Chegou a morena e iludiu meu coração

Lembro os olhos dela comovido
Os seus pés descalços e um vestido
Que ela usava só pra mim
Antes de partir e me deixar assim

No violão me debruço
Soluço e aviso onde eu for
Melhor é morrer
Que deixar morrer o amor


Diva

Diva
Trouxeste a vida e a vida te levou
Deixando em vão o devaneio
Triste dia: chovia, e Diva, te dividias
Devagar: mulher e nuvem

Diva
Te devo a vida, e a vida deve a mim
A tua voz que me implorava amor
Eu ouvia, te dava, e Diva, não duvidavas
Que eras dívida e dádiva

Diva
A vida é dádiva, dívida é devaneio
A vida me deve diva, ô
Quero diva de novo, num dia de chuva

Diva
Sei que a vida é dividir e duvidar
Diva, divina, nuvem dividida


Dose pra leão

Cesar Costa Filho



Não lhe disse meu irmão

Que essa vida é dose pra leão

Mas esqueça essa amargura

Que essa dor a gente cura

É só sambar

Foi-se embora, meu irmão

Se conforme, ela não volta não

Ela só queria ouro

Mas você só tinha samba

Pra ensinar

Violão meu castigo é você

Que tem seis cordas só pra me prender

Vamos lá, deixa o pinho chorar

Pois quem sofreu tem que desabafar

Medo

Cesar Costa Filho

Além da razão
Se prende o olhar
Na dança desigual
Das grandes sombras na parede
Formando o medo por você
Você já dormiu
E esse lugar
Não reconheço mais
As sombras formam longos braços
Se debruçando sobre nós
Tentei ligar o rádio

Mas não pude ouvir direito
Nem os jornais diziam nada
Pra justificar
As transformações
Que nos fazem ter
O medo enorme
Cada vez que você dorme
E não possa despertar


quarta-feira, dezembro 2

Solidão (2)

Vinícius de Moraes

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.

Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete.

Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

quinta-feira, novembro 26

Sem Companhia

(Ivor Lancellotti e Paulo Cesar Pinheiro)

Tudo que esperei de um grande amor
Era só juramento que o primeiro vento carregou
Outra vez tentei mas pouco durou
Era um golpe de sorte
Que um vento mais forte derrubou

E assim de quando em quando
Eu fui amando mais
Passei por ventos brandos
Passei por temporais
Agora estou num cais
Onde há uma eterna calmaria
E eu não aguento mais
Viver em paz sem companhia

Solidão (1)

No meio da multidão

Olho em volta, nada vejo

Imagine que tormento,

Só eu e meu pensamento

Ansiando parceria.

Estou só, mas que agonia

Em meu coração fraquejo;

Só preciso de um beijo...

Pra acalmar a solidão.

Quando encontro finalmente

No meio de tanta gente

Coração que me conforte,

Oh que malfazeja sorte

Meu Deus, o que é que eu faço

Ali não encontro espaço

Nele só há um abrigo

Se for entrar como amigo

Estou sozinho, perdido

E meu sonho, adormecido

Pobre do meu coração

Pra este amor não era hora

Mas não posso jogar fora

Só posso mantê-lo na mente

Para ver se você sente

Meu amor, minha solidão.

Cabelo no pente

Tem dias que a gente se sente

Igual a um cabelo no pente

Querendo sentir um carinho

Olha em volta e se encontra sozinho

Se sente a angústia no ar

Procura uma mesa de bar

Mas a dor segue presente

Tal qual um cabelo no pente

Só sei que fugir não adianta

A solidão mais se agiganta

Pois ela é bem mais persistente

Que um simples cabelo no pente

Solidão

A sua ausência é o nada

Sem você mais nada existe

Não há riso, tudo é triste

Silêncio da alma finada

Sua ausência é este silêncio

A falta total de alegria

É a noite em pleno dia

A morte em vida, o vazio

Sua ausência é essa morte

A que chamo solidão

A espera de um coração

Que meu amor todo comporte

Triste

Tom Jobim

Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
O sonhador tem que acordar

Tua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão


quarta-feira, novembro 25

Grande amor

Composição: Martinho da Vila

Num grande amor
Sempre tem melancolia
Tem tristeza e alegria
Num mundo de ilusão

Num grande amor,
Tem de tudo um bocadinho
Tem ternura, tem carinho
Tem castigo e tem perdão

Se o amor se esvai
Saudade vem
Um novo amor
Virá também

Se alguém brincou
Sorriu, cantou
Feliz ficou, feliz ficou

Se amou demais,
Perdeu a paz
Chorou, chorou

segunda-feira, novembro 16

Vazio

(Jane Milan Angelotti dos Santos)

Tão belas palavras deveriam ser ditas

Mas pensamentos inquietantes me confundem

Uma confusão de sentimentos que me atormentam

Trazendo fantasias que me iludem

Será que meu interior me engana?

Simplesmente por me mostrar a cada minuto

que a cada suor e a cada lágrima derramada eu simplesmente...

sempre lamento muito?

Hoje me sinto serena, calma e doce

Amanhã não sei ...

Por que tanta angústia, tanta dor?

Por que não conseguir dizer o que simplesmente sinto?

Será covardia ou fraqueza do meu íntimo?

Um vazio imensurável me persegue

E por mais que eu tente, não consigo me achar

Sigo sempre meu caminho

Buscando a luz que preciso encontrar

quinta-feira, novembro 12

Você é real

(Simone)



Nossa história começou de maneira original
Você leu meu coração e me fez cantar
Me leva em teu delírio, no teu sonho impossível
Que eu já ouço teu desejo em milhões de canais

Você sabe quem eu sou quando estou sentimental
Quando beijo tua flor nem me lembro mais
Dos sonhos, dos terríveis, do metal, dos insensíveis
Das batalhas pelas estrelas e nem dos heróis

Ah! onde você for eu vou te procurar
Quando a saudade chega no lençol
O pensamento vai longe demais

Vem, chega pelo vento vem na minha voz
Eu não aguento ver você me olhar
Com esse jeito de quem me quer mais, quer mais...

Você sabe quem eu sou e eu já sei quem somos nós
Qualquer chama de amor queima nossa voz
Me leva o paraíso, tudo é vasto em teu sorriso
E eu já posso ter certeza: você é real

quarta-feira, novembro 11

Greatest love of all

(Whitney Houston)

I believe the children are our future
Teach them well and let them lead the way
Show them all the beauty they possess inside
Give them a sense of pride to make it easier
Let the children's laughter remind us how we used to be

Everybody searching for a hero
People need someone to look up to
I never found anyone who fulfilled my needs
A lonely place to be, so I learned to depend on me

I decided long ago never to walk in anyone's shadow
If I failed, if I succeed, at least I lived as I believed.
No matter what they take from me they can't take away my dignity

Because the greatest Love of all is happening to me
I found the greatest love of all inside of me

The greatest love of all
Is easy to achieve learning to love yourself,
it is the greatest love of all

I believe the children are our future
Teach them well and let them lead the way
Show them all the beauty they possess inside
Give them a sense of pride
To make it easier
Let the children's laughter remind us how we used to be

I decided long ago
Never to walk in anyone's shadow
If I failed, if I succeed
At least I lived as I believed
No matter what they take from me
The can't take away my dignity

Because the greatest love of all
Is happening to me
I found the greatest love of all inside of me

The greatest love of all
Is easy to achieve
Learning to love yourself,
It is the greatest love of all

And if by chance that special place
That you've been dreaming of
Leads you to a lonely place
Find your strength in love


O maior amor de todos

Eu acredito que as crianças são nosso futuro
Ensine-os bem e deixe-os conduzir o caminho
Mostre-lhes toda a beleza que eles possuem dentro de si
Dê-lhes uma sensação de orgulho para tornar isto mais fácil
Deixe o riso das crianças lembrar-nos de como nós éramos

Todo mundo procura por um herói
As pessoas precisam de alguém para se espelharem
Eu nunca encontrei alguém que satisfizesse minhas necessidades
Um lugar solitário para se estar,
então eu aprendi a depender de mim

Eu decidi há muito tempo não andar na sombra de ninguém
Se eu falhei, se eu fui bem sucedida,
pelo menos eu vivi como eu acreditei.
Não importa o que levem de mim,
eles não podem tirar minha dignidade

Porque o maior amor de todos está acontecendo em mim
Eu encontrei o maior amor de todos dentro de mim

O maior amor de todos
É fácil de alcançar aprendendo a amar a si mesmo
Este é o maior amor de todos

E se por acaso aquele lugar especial
Que você tem sonhado
Te levar para um lugar solitário
Encontre sua força no amor

All in love is fair

(Stevie Wonder)

All is fair in love
Love is a crazy game
Two people about to stay
In love as one they say
Is always change with time
The future none can see
The road you leave behind
Ahead lies history
But all is fair in love
I had to go away
A writer do takes his pen
To write the words again
That all in love is fair
Only faced a chance
To see the good or bad
I trust my core to say
In love with me you'd stay
But all in love is so cold
You'll read it when i lose
When all is throun away
The lose inside i play
But all is fair in love
I should have never left your side
A writer just takes his pen
To write the words again
That all in love is fair



Tudo no amor é belo

(Stevie Wonder)

Tudo é belo no amor

O amor é um jogo louco

Duas pessoas que queiram ficar
Apaixonadas como uma só, elas dizem
Que ele muda com o tempo
O futuro ninguém pode prever
A estrada que você deixa para trás
Em seguida se perde na história
Mas tudo é belo no amor
E eu tive que ir embora
Um escritor só pega sua caneta
Para reescrever tais palavras
Que tudo no amor é belo
Apenas encarei a chance
De ver o bom ou o mau
Eu empenhei meu coração para dizer
Que você se apaixonaria por mim
Mas tudo no amor é tão frio
Você "saberá" quando eu estiver perdido
Quando tudo estiver jogado fora
E por dentro eu fingir livre
Mas tudo é belo no amor
Eu nunca deveria ter saído do seu lado
Um escritor apenas pega sua caneta
Para reescrever tais palavras
Que tudo no amor é belo

sábado, outubro 24

Amizade sincera

(Renato Teixeira)


A amizade sincera é um santo remédio
É um abrigo seguro
É natural da amizade
O abraço, o aperto de mão, o sorriso
Por isso se for preciso
Conte comigo, amigo disponha
Lembre-se sempre que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua
Amigo
Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raros
Não há nada melhor do que um grande amigo

sexta-feira, outubro 23

Um sonho a dois

(Michael Sullivan / Paulo Massadas)

Ela sabe, o jeito de agradar
Um sorriso brincando no olhar
Me fascina com seu jeito de ser
Ela é tudo enfim que eu preciso ter

Ele passa, e o tempo faz parar
Quando fala é música no ar
Me conquista, querendo não querer
Ele é tudo, enfim, que eu preciso ter

Quando bater na porta deixa entrar
Pra te ganhar de norte a sul
No mundo da lua, tudo vai ficar
Descobrir que o amor é azul

Quando a gente gosta, o amor é um caso sério
E tem lá seus mistérios pra contar
Mas você divide, na metade, um desejo no olhar
Quando a gente gosta, vale a pena qualquer coisa
Vale tudo num cantinho pra ficar
Um sorriso pra te convencer
Na luz do luar

Ela sabe que brinca nos meus sonhos
Todo o tempo nos versos que componho
Ele sabe que estou em suas mãos
Ele é tudo que faz bem ao coração

Faltou dizer

Ainda ontem falei contigo
O tempo parecia não passar.
Na eternidade daqueles instantes
Não parecíamos mais tão distantes
As horas seguiam o seu rumo
Com palavras que tiraram meu prumo
Quando tudo parece ter sido dito
Ainda falta muito pra esgotar meu peito

Muito ainda falta dizer
Falou-se de jardins, borboletas e flores
Faltou falar do seu perfume e cores
Falou-se de sol, lua e estrelas
Faltou dizer da alegria de vê-las
Abriu o meu coração pelo meio
Faltou ver quem estava lá sem receio
Falou de meus erros, acertos e medos
Faltou revelar seus segredos

E juntando todas palavras
Que nos versos eu declamo
Falou-se de quase tudo
Mas faltou dizer, eu te amo

segunda-feira, outubro 5

Flores

Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin / Paulo Miklos



Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

Me antecipei em publicar esse clip por causa da minha mãe.

Aos oitenta anos definitivamente ela provou que só "as flores de plástico não morrem..."

sexta-feira, setembro 25

Time

(Pink Floid)

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.

And you run and you run to catch up with the sun but it's sinking
And racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way but you're older,
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time has gone, the song is over,
Thought I'd something more to say.




Tempo

Descartando cada momento de um dia enfadonho
Você desperdiça e esbanja as horas, descontroladamente
Perambulando de um lugar para outro em sua cidade natal
Esperando por alguém ou alguma coisa que te mostre o caminho.

Cansado de tomar banho de sol, de ficar em casa vendo a chuva
Você é jovem, a vida é longa, e há tempo para gastar hoje.
Até que um dia você descobre que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando começar a correr, você perdeu a largada.

E você corre e corre atrás do sol, mas ele está se pondo
Fazendo a volta para nascer outra vez atrás de você
De uma certa forma o sol é o mesmo, mas você está mais velho
Com menos fôlego e um dia mais perto da morte.

Cada ano vai ficando mais curto, parece que não acha mais o tempo

Planos que dão em nada, ou  no rascunho de um projeto
Esperar em quieto desespero é o modo mais elegante

O tempo acabou, a música também,

Mas eu ainda queria dizer...

segunda-feira, setembro 21

O mundo é um moinho

Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés...

Cordas de aço

Cartola

Ai, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ai, esse bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você, violão, compreende porque
Perdi toda alegria

E, no entanto, meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher até hoje está nos
esperando
Solte o seu som da madeira
Eu, você e a companheira
À madrugada iremos pra casa cantando.

As rosas não falam

Cartola

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas meus sonhos por fim...


Corra e olhe o céu

Cartola / Dalmo Castello


Linda
Te sinto mais bela
Te fico na espera
Me sinto tão só
Mas o tempo que passa
Em dor maior, bem maior
Linda
No que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia
Ai, corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia.

Cartola

Cartola (Angenor de Oliveira). Compositor, cantor, instrumentista.

Rio de Janeiro RJ 11/10/1908-id. 30/11/1980.

Das inúmeras poesias musicais desse gênio, estou destacando quatro das que eu mais gosto:

As rosas não falam
Cordas de aço
Corra e olhe o céu
O mundo e um moinho

Cartola nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde menino participou das festas de rua, tocando cavaquinho – que aprendera com o pai – no rancho Arrepiados (de Laranjeiras) e nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de “pastorinhas”. Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando sua vida de boêmio.

Após trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro, e dessa época veio seu apelido, pois usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça, o qual chamava de cartola. Em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, que seria seu mais constante parceiro, foi um dos fundadores do Bloco dos Arengueiros. Da ampliação e fusão desse bloco com outros existentes no morro, surgiu, em 1928, a segunda escola de samba carioca. Fundada a 28 de abril de 1928, o G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira teve seu nome e as cores verde e rosa escolhidos por ele. Foram também fundadores, entre outros, Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi. Para o primeiro desfile foi escolhido o samba Chega de Demanda, o primeiro que fez, composto em 1928 e só gravado pelo compositor em 1974, no LP História das escolas de samba: Mangueira, pela Marcus Pereira. Em 1931, Cartola tornou-se conhecido fora da Mangueira, quando Mário Reis, que subira o morro para comprar uma música, comprou dele os direitos de gravação do samba Que infeliz sorte, que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos e conservando a autoria: assim foi com Não faz, amor (com Noel Rosa), Qual foi o mal que eu te fiz? e Divina Dama, todos gravados pela Odeon, os dois primeiros em 1932 e o último em janeiro de 1933. Ainda em 1932, o samba Tenho um novo amor foi gravado por Carmen Miranda. Do mesmo ano é a gravação do samba Na floresta, em parceria com Sílvio Caldas, lançado por este último, e a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça, o samba Pudesse meu ideal, com o qual a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal “O Mundo Esportivo”.

Em 1936, a Mangueira teve premiado no desfile seu samba Não quero mais (com Carlos Cachaça e Zé da Zilda), gravado por Araci de Almeida, na Victor, em 1937, e em 1973 por Paulinho da Viola, na Odeon, com o título mudado para Não quero mais amar a ninguém. Em 1940, participou, ao lado de Donga, Pixinguinha, João da Baiana e outros, de gravações de música popular brasileira para o maestro Leopoldo Stokowski (1882 – 1976), que visitava o Brasil. Realizadas a bordo do navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, essas gravações deram origem a dois álbuns de quatro discos de 78 rpm, lançados nos EUA pela gravadora Columbia. No rádio, atuou como cantor, apresentando músicas suas e de outros compositores. Na Rádio Cruzeiro do Sul, ainda em 1940, criou, com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes, sendo premiado o nome escolhido.

Em 1941, formou com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em São Paulo, em um programa da Rádio Cosmos. A partir dessa época, o sambista desapareceu do ambiente musical. Muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã com seu samba-enredo Vale do São Francisco (com Carlos Cachaça).

Cartola só foi redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema e trabalhando à noite como vigia de edifícios. Sérgio levou-o para cantar na Rádio Mayrinck Veiga e, logo depois, Jota Efegê arranjou-lhe um emprego no jornal “Diário Carioca”.

A partir de 1961, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, com quem se casou mais tarde, sua casa tornou-se ponto de encontro de sambistas. Em 1964, resolveu abrir um restaurante, o Zicartola, na Rua da Carioca, que oferecia, além da boa cozinha administrada por Zica, a presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro. Freqüentado também por jovens compositores da geração pós bossa-nova (alertados para a sua existência desde o show “Opinião”, no qual Nara Leão incluíra o samba O sol nascerá, de Cartola e Elton Medeiros, que mais tarde gravaria), o Zicartola tornou-se moda na época. Durou pouco essa confraternização morro-cidade: o restaurante fechou as portas, reabrindo em 1974 no bairro paulistano de Vila Formosa.

Contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, vivendo na casa verde e rosa que construiu no morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara, somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, o compositor gravou seu primeiro LP, Cartola, na etiqueta Marcus Pereira. O disco recebeu vários prêmios. Logo depois, em 1976, veio o segundo LP, também intitulado Cartola, que continha uma de suas mais famosas criações, As rosas não falam, e o seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por 4 meses.

Em julho de 1977, a Rede Globo apresentou com enorme sucesso o programa “Brasil Especial” número 19, dedicado exclusivamente a Cartola. Em setembro do mesmo ano, Cartola participou, acompanhado por João Nogueira, do Projeto Pixinguinha, no Rio. O sucesso do espetáculo levou-os a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Ainda em 1977, em outubro, lançou seu terceiro disco-solo: Cartola – Verde que te quero rosa (RCA Victor), com igual sucesso de crítica.

Em 1978, quase aos 70 anos, mudou-se para o bairro de Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo. Neste mesmo ano estreou seu segundo show individual: Acontece, outro sucesso. Em 1979, lançou seu quarto LP: Cartola – 70 anos. Nesta época, descobriu que estava com câncer, doença que causaria sua morte, em 30 de novembro de 1980.
Em 1983, foi lançado, pela Funarte, o livro Cartola, os tempos idos, de Marília T. Barboza da Silva e Arthur Oliveira Filho. Em 1984, a Funarte lançou o LP Cartola, entre amigos. Em 1997, a Editora Globo lançou o CD e o fascículo Cartola, na coleção “MPB Compositores” (n°12).

Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira, editada pelo Itaú Cultural.

sábado, setembro 19

Epitáfio

Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...



Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

segunda-feira, setembro 14

Sintonia

(Tunai)

Me abraça, me leva pro infinito,
me faz flutuar.
você é o meu sonho, mais bonito,
nem dá pra explicar.

Te quero e pressinto,
te desejo, te beijo e vamos seguindo,
os nossos caminhos, vão num destino só.

Nós somos sol e lua juntos,
o amor uniu,
os nossos mundos.

a gente se olha, se namora
e dança o balé da vida.
viver é tão simples,
quando se tem prazer.

Que bom que a gente tem,
tanta energia assim,
se você fica afim,
quero outra vez também,
paixão, sintonia.

Teorema

Calculos, geometrias
Fazem parte dos meus dias
Mas não dão a solução
Pra minha interrogação

Pra responder meu problema
Um outro modo eu proponho
E dos dados que disponho
Traço um novo teorema

Esta nova aritmética
Me diz de forma poética
Que, um mais um não são mais dois
Entendi isto depois
De um resultado em conflito
Eu lhe explico quantos são
Um mais outro coração
Resultam amor infinito

sábado, setembro 12

Triste berrante

(Adauto Santos)

Já vai bem longe este tempo, bem sei
Tão longe que até penso que eu sonhei
Que lindo quando a gente ouvia distante
O som daquele triste berrante
E um boiadeiro a gritar, êia!
E eu ficava ali na beira da estrada
Vendo caminhar a boiada até o último boi passar

Ali passava boi, passava boiada
Tinha uma palmeira na beira da estrada
Onde foi gravado muito coração

Mas sempre foi assim e sempre será
O novo vem e o velho tem que parar
O progresso cobriu a poeira da estrada
E esse tudo que é o meu nada
Eu hoje tenho que acatar e chorar
Mas mesmo vendo gente, carros passando
Meus olhos estão enxergando uma boiada passar

quinta-feira, setembro 10

What's in a kiss


(Gilbert O’sullivan)

What's in a kiss
Have you ever wondered just what it is
More perhaps than just a moment of bliss
Tell me what's in a kiss.
What's in a dream
Is it all the things you'd like to have been
All the places that you haven't yet seen
Tell me what's in a dream.
I know it's really rather stupid of me
But I honestly don't know
Every time I try to find a solution
I'm surprised at how quickly I become so slow.
What's in a kiss
Have you ever wondered just what it is
More perhaps than just one moment of bliss
Tell me what's in a kiss.

And any time you need a light refreshment
Baby you can count on me
I am your very own delicatessen
Well equipped to supply you with your every need.
Well what's in a kiss
Have you ever wondered just what it is
More perhaps than just one moment of bliss
Tell me what's in a kiss.




Tradução:



O que existe por traz de um beijo?

Você já parou pra pensar nisso?

Pode ser mais que um simples momento maravilhoso

Diga-me o que há por traz de um beijo...


O que existe por traz de um sonho?

Será ele todas as coisas que você gostaria de ter sido?

Todos os lugares que você ainda não viu

Diga-me, o que há por traz de um sonho...


Sei que é quase estupidez da minha parte

Mas honestamente, eu não sei;

Sempre que tento encontrar a solução,

Fico surpreso, pois me acalmo rapidamente


O que existe por traz de um beijo?

Você já parou pra pensar nisso?

Pode ser mais que um simples momento maravilhoso

Diga-me o que há por traz de um beijo...


E quando você precisar de um esclarecimento,

Meu bem, você pode contar comigo

Sou seu velho e doce amigo...

E desisto de tudo pra lhe dar o que você precisa...


O que existe por traz de um beijo?

Você já parou pra pensar nisso?

Pode ser mais que um simples momento abençoado

Diga-me o que há por traz de um beijo...


Luz do sol


(Caetano Veloso)


Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...

Céu azul
Que venha até
Onde os pés
Tocam a terra
E a terra inspira
E exala seus azuis...

Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...

Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...

Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida...

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...

Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...

Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...

Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida...

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...

sábado, setembro 5

Amigo é para sempre

Amigo é para sempre !


Difícil querer definir amigo.


Amigo é quem te dá um pedacinho do chão quando é de terra firme que você precisa;


ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.


Amigo é mais que ombro amigo. É mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.


É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.


É aquele que cede e não espera retorno; porque sabe que o simples ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o alimenta e satisfaz.


É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você.


É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.


É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angustia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo “porvir”.


É ao mesmo tempo espelho que lhe reflete, é óleo derramado sobre suas águas agitadas


É quem fica enfurecido por enxergar seu erro,


Querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia.


É o sol que seca suas lagrimas.


É a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.


Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando os problemas.


É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você; é quem sabe que viver é ter uma historia para contar.


É quem sorri para você sem motivo aparente.


É quem sofre com o seu sofrimento.


É o “pai” filosófico dos seus filhos.


É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.


Amigo é aquele que te lê em cartas, esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas.


É aquele que te ouve ao telefone, mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se estivesse olhando em seus olhos. Amigo é multimídia.


Amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática.


É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, sua alegria e medo.



É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar; e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando a tristeza interior.
Amigo é a lua nova.

É a estrela mais brilhante


É a luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.


Amigo é aquele que te diz “eu te amo”, sem qualquer mêdo de ma intepretacao.


Amigo é quem te ama e ponto.


É verdade e razão.


Sonho e sentimento.


Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.



Mas existe!

segunda-feira, agosto 31

Pessoa

Olhar você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Bem no fundo do coração
Ganhar você
E não querer
É porque eu não quero
Que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar



O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Bem no fundo do coração





O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Você
E não querer
É porque eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque
Eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já dancei...



O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...

sábado, agosto 22

O que não pode ser

(Arnaldo Antunes)

Autopsicografia



(Fernando Pessoa)

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Volta

Quanto tempo dura a espera?
Dura o tempo da ansiedade
O tempo da saudade
Mais tempo que se quisera



Esperar não custa nada?


Custa mais do que se pensa


Custa a dor de uma ausência


De uma alma apunhalada



Volte sempre, volte logo,


Minha angústia não aumente


Volte e não mais se ausente


Fica comigo, eu te rogo.


quinta-feira, agosto 13

A morte do imortal


Eu o conheci


Era forte imbatível


Capaz de suportar o impossível


Transparente, claro, puro



Eu o vi de longe


Muitas vezes acenava


Como quem me clareava


Um caminho que era escuro



Cheguei de perto


Era real, verdadeiro


Por somente um segundo


Vi que era único no mundo



Disseram que era imortal


Mas não teve outro jeito


Morreu junto comigo


Ao tentar tira-lo do peito

terça-feira, agosto 11

Muito triste

Tá todo mundo muito triste
Cantando músicas tristes
E cada dia fica mais facil cantar assim
Ninguém consegue mais se espantar
Com esse jeito tão comum de cantar
E eu posso falar, eu tiro os outros por mim

Tá todo mundo muito triste

Tentando ver os claros da vida
E cada dia fica mais mais difícil
Não se ver a escuridão

Ninguém consegue olhar mais ninguém de frente
Ninguém consegue mais se entregar contente
Ninguém consegue mais abrir as portas do coração

Tá todo mundo muito triste
Como se fosse quarta-feira de cinzas
De um carnaval antigo

Tá todo mundo muito triste
Cantando músicas tristes
E cada dia fica mais fácil cantar assim

Eu tiro os outros por mim
Eu tiro os outros por mim

Autoria: Zé Rodrix

Se

Uma imagem, apenas uma,
Que pudesse descrever meu sentimento
Imagens valem mil palavras
E nenhuma, nem milhões delas
Descreveriam meu peito no momento

Se houvesse uma imagem
Do sol e lua conjugados
Revestidos de estrelas por todos os lados
Poderia esta pintar você?
Essa pessoa que cheguei a conhecer?

Se alguém pudesse fazer isso
Descrever você completamente
Mostrar sua alma e coração
Esse seria eu, numa canção
Faço disso meu eterno compromisso

Uma canção perfeita não se cala
Melodia que sempre persegui
Poesia feita à sua altura
Se houver uma só em toda escala
Não será em dó nem sol , mas si...

Gota de sangue

(Ângela Rorô)

Não tire da minha mão esse copo
Não pense em mim quando eu calo de dor
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
Não se perturbe nem fique à vontade
Tira do corpo essa roupa e maldade
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
Não é muito nem pouco eu diria
Não é pra rir mas nem sério seria
É só uma gota de sangue em forma verbal
Deixa eu sentir muito além do ciúme
Deixa eu beber teu perfume
Embriagar a razão, porque não volto atrás?
Quero você mais e mais que um dia
Não tire da minha boca esse beijo
Nunca confunda carinho e desejo
Beba comigo a gota de sangue final

O buraco do espelho

(Arnaldo Antunes)

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

domingo, agosto 2

Bicho de sete cabeças

Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça...

Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um bicho de sete cabeças...



Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça)
Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça)
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito)
Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso)
O que você me fez desapareça (E você fez um)
Cresça e desapareça... (bicho de sete cabeças)

Bicho de sete cabeças!
Bicho de sete cabeças!
Bicho de sete cabeças!

Autoria: Zé Ramalho/Geraldo Azevedo/Renato Rocha

sexta-feira, julho 24

Ser ou não ser?


Você pensa que é o que?


Você não é


Você não pensa


Pensa que é o que pensa?


Isso é o que você pensa


O que é que você pensa?


Você pensa que é o que pensa


Você não é o que pensa que é


Pensa que é


Mas não é,


Só pensa:


É o que é

terça-feira, julho 21

Nota de falecimento

Cumpro o doloroso dever


De informar o falecimento.


Que alguém neste momento


Morreu de tanto sofrer



Morreu de angustia o sujeito


Pois vimos seu coração


Sufocado por uma mão


De quem é? Não há suspeito



Foi embora num momento


Enquanto se apaixonava


Pois a dor não suportava


Mas deixou em testamento:



“Eu morri desta maneira


Morri de amor, de tristeza


De saudades, de fraqueza,


Me tornei mera poeira



Deixo a você minha herança


Nem a morte isto invalida


Dou por você minha vida


Meu amor, sonho e esperança”

Tá tudo claro

I CAN SEE CLEARLY NOW

I can see clearly now the rain is gone.
I can see all obstacles in my way.
Gone are the dark clouds that had me blind.
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshine day.
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshine day.


Oh yes, I can make it now the pain is gone.
All of the bad feelings have disappeared.
Here is the rainbow I've been praying for.
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshine day.


(ooh...) Look all around, there's nothing but blue skies.
Look straight ahead, there's nothing but blue skies.


I can see clearly now the rain is gone.
I can see all obstacles in my way.
Here's the rainbow I've been praying for.
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshine day.
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshine day.
Real, real, real, real bright (bright) bright (bright)
sunshine day.
Yeah, hey, it's gonna be a bright (bright) bright (bright)
sunshine day.



Tradução
Posso ver claramente agora que a chuva se foi
Consigo ver todos os obstáculos em meu caminho
As nuvens negras que me cegavam foram embora
Será um brilhante dia de sol
Será um brilhante dia de sol


Agora sim...a dor foi embora
Todos os sentimentos ruins desapareceram
Aqui está o arco-iris que tenho pedido
Será um brilhante dia de sol
Será um brilhante dia de sol


Olhe à sua volta....não há nada além do céu azul
Olhe em frente, não há nada além do céu azul


Posso ver claramente agora que a chuva se foi
Consigo ver todos os obstáculos em meu caminho
Aqui está o arco-iris que tenho pedido
Será um brilhante dia de sol!
Será um brilhante dia de sol