sábado, agosto 22
Autopsicografia
(Fernando Pessoa)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Clássicos! Olha a influência genética...
ResponderExcluirFernando Pessoa é um ícone da poesia.Ótima inspiração.
ResponderExcluir