segunda-feira, junho 12

Bazar

Bazar

(Cesar Costa Filho)


O momento, o próprio tempo desfaz
O sempre é parente do nunca mais

E o que são os minutos
Senão diminutos
Frutos das horas

E o que são os minutos
Senão diminutos
Frutos das horas

Dia que se diz especial
É igual a qualquer um

Pois todo dia qualquer
No dia seguinte é nenhum

Metade é o começo do fim
Saudade demais doença ruim

O corpo é o inútil bazar do charque
E o choque faz parte do estoque

O corpo é o inútil bazar do charque
E o choque faz parte do estoque

A alma não dá pra vender
Ninguém quer comprar, nem Satã

Cansado que está de saber
Que vai ter de graça amanhã






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