(Caetano Veloso)
O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso...
quarta-feira, julho 25
terça-feira, abril 24
Do Japão
(Gilberto Gil)
Do Japão
Quero uma máquina de filmar sonhos
Pra registrar nas noites de verão
Meu corpo astral leve, feliz, risonho
Voando alto como um gavião
Que filme dentro de minha cabeça
Todo pensamento raro que eu mereça
Toda ilusão a cores que apareça
Toda beleza de sonhar em vão
Do Japão
Quero também um trem-bala-de-coco
Pra atravessar túneis do dissabor
Quero um microcomputador barroco
Que seja louco e desprograme a dor
Visitar um templo zen-desbundista
Conversar com um samurai futurista
Que me dê pistas sobre o sol-nascente
Que me oriente sobre o novo amor
Do Japão
Quero uma gueixa que em poucos minutos
Da minha queixa faça uma paixão
Descubra novos sentimentos brutos
E, enfeitiçada, tome um avião
E a gente vá viver num outro mundo
Pra lá do Terceiro ou Quarto ou Quinto Mundo
Onde a rainha seja uma açucena
E a divindade, a pena do pavão
sábado, fevereiro 25
Tesoura cega
(Cesar Costa Filho)
Quem trocou a alma pela palma
E vendeu a sua calma
Nos mercados da paixão
Quem rasgou a seda da Ternura
Nas barracas da amargura
E do fel se embriagou
Quem derramou toda a tinta do tinteiro
E, não fez um verso inteiro
Que falasse de perdão
Quem se perdeu do amor humano
É como tesoura cega
Não tem mais direito ao pano
Versão com interpretação de Bete Carvalho
Quem trocou a alma pela palma
E vendeu a sua calma
Nos mercados da paixão
Quem rasgou a seda da Ternura
Nas barracas da amargura
E do fel se embriagou
Quem derramou toda a tinta do tinteiro
E, não fez um verso inteiro
Que falasse de perdão
Quem se perdeu do amor humano
É como tesoura cega
Não tem mais direito ao pano
Versão com interpretação de Bete Carvalho
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