segunda-feira, agosto 31

Pessoa

Olhar você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Bem no fundo do coração
Ganhar você
E não querer
É porque eu não quero
Que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar



O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Bem no fundo do coração





O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Você
E não querer
É porque eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque
Eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já dancei...



O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...

sábado, agosto 22

O que não pode ser

(Arnaldo Antunes)

Autopsicografia



(Fernando Pessoa)

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Volta

Quanto tempo dura a espera?
Dura o tempo da ansiedade
O tempo da saudade
Mais tempo que se quisera



Esperar não custa nada?


Custa mais do que se pensa


Custa a dor de uma ausência


De uma alma apunhalada



Volte sempre, volte logo,


Minha angústia não aumente


Volte e não mais se ausente


Fica comigo, eu te rogo.


quinta-feira, agosto 13

A morte do imortal


Eu o conheci


Era forte imbatível


Capaz de suportar o impossível


Transparente, claro, puro



Eu o vi de longe


Muitas vezes acenava


Como quem me clareava


Um caminho que era escuro



Cheguei de perto


Era real, verdadeiro


Por somente um segundo


Vi que era único no mundo



Disseram que era imortal


Mas não teve outro jeito


Morreu junto comigo


Ao tentar tira-lo do peito

terça-feira, agosto 11

Muito triste

Tá todo mundo muito triste
Cantando músicas tristes
E cada dia fica mais facil cantar assim
Ninguém consegue mais se espantar
Com esse jeito tão comum de cantar
E eu posso falar, eu tiro os outros por mim

Tá todo mundo muito triste

Tentando ver os claros da vida
E cada dia fica mais mais difícil
Não se ver a escuridão

Ninguém consegue olhar mais ninguém de frente
Ninguém consegue mais se entregar contente
Ninguém consegue mais abrir as portas do coração

Tá todo mundo muito triste
Como se fosse quarta-feira de cinzas
De um carnaval antigo

Tá todo mundo muito triste
Cantando músicas tristes
E cada dia fica mais fácil cantar assim

Eu tiro os outros por mim
Eu tiro os outros por mim

Autoria: Zé Rodrix

Se

Uma imagem, apenas uma,
Que pudesse descrever meu sentimento
Imagens valem mil palavras
E nenhuma, nem milhões delas
Descreveriam meu peito no momento

Se houvesse uma imagem
Do sol e lua conjugados
Revestidos de estrelas por todos os lados
Poderia esta pintar você?
Essa pessoa que cheguei a conhecer?

Se alguém pudesse fazer isso
Descrever você completamente
Mostrar sua alma e coração
Esse seria eu, numa canção
Faço disso meu eterno compromisso

Uma canção perfeita não se cala
Melodia que sempre persegui
Poesia feita à sua altura
Se houver uma só em toda escala
Não será em dó nem sol , mas si...

Gota de sangue

(Ângela Rorô)

Não tire da minha mão esse copo
Não pense em mim quando eu calo de dor
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
Não se perturbe nem fique à vontade
Tira do corpo essa roupa e maldade
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
Não é muito nem pouco eu diria
Não é pra rir mas nem sério seria
É só uma gota de sangue em forma verbal
Deixa eu sentir muito além do ciúme
Deixa eu beber teu perfume
Embriagar a razão, porque não volto atrás?
Quero você mais e mais que um dia
Não tire da minha boca esse beijo
Nunca confunda carinho e desejo
Beba comigo a gota de sangue final

O buraco do espelho

(Arnaldo Antunes)

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

domingo, agosto 2

Bicho de sete cabeças

Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça...

Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um bicho de sete cabeças...



Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça)
Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça)
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito)
Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso)
O que você me fez desapareça (E você fez um)
Cresça e desapareça... (bicho de sete cabeças)

Bicho de sete cabeças!
Bicho de sete cabeças!
Bicho de sete cabeças!

Autoria: Zé Ramalho/Geraldo Azevedo/Renato Rocha